O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agora sinaliza disposição para acabar com o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — a famosa “taxa das blusinhas” —, que foi implementada pelo seu próprio governo em 2024 e sancionada por ele.
De acordo com relatos, o Planalto estuda enviar uma medida provisória ainda em maio para zerar esse tributo sobre plataformas digitais estrangeiras. A ideia é clara: tentar recuperar popularidade em um momento em que as pesquisas mostram Lula patinando e perdendo terreno para possíveis adversários como Flávio Bolsonaro.
Erro que ele próprio reconhece (tardiamente)
O imposto foi criado sob o argumento de proteger o varejo nacional e gerar empregos, mas o resultado foi o oposto do prometido. Pesquisas recentes, como a da AtlasIntel, apontam que 62% dos brasileiros consideram a medida um dos maiores erros do governo Lula, muito à frente de outras ações. O tributo acabou pesando especialmente sobre a população mais pobre, que usa esses sites para comprar produtos acessíveis, e não trouxe a arrecadação esperada nem os empregos anunciados. Pelo contrário: gerou revolta e ajudou a aumentar a rejeição ao presidente.
Agora, o próprio entorno de Lula admite que parte da impopularidade atual vem dessa taxação mal calculada. Em vez de assumir o erro desde o início, o governo prefere editar uma MP às vésperas da eleição como uma espécie de “pacote de bondades” para tentar amenizar o desgaste.
Resistência do varejo e contradições do governo
O setor de varejo nacional reage com preocupação: fala em prejuízos, risco de demissões e concorrência desleal com plataformas estrangeiras que não arcam com os mesmos custos tributários e trabalhistas do Brasil. Mesmo assim, o núcleo político do governo pressiona pela revogação, priorizando o calendário eleitoral sobre a consistência econômica.
É o mesmo governo que, há menos de dois anos, defendia a taxa como algo necessário e justo. Hoje, com Lula perdendo fôlego nas pesquisas e vendo sua rejeição subir, a narrativa muda rapidamente. A preferência do Congresso por projeto de lei é ignorada em favor da medida provisória, contando com o fato de que, em ano de eleição, dificilmente o Parlamento barraria uma “bondade” populista.
Resumo: Lula criou a taxa, viu o tiro sair pela culatra, reconheceu (a contragosto) que ela onera os mais pobres sem entregar resultados, e agora tenta revogá-la correndo para minimizar o estrago na imagem antes das urnas. Mais um exemplo clássico de improvisação eleitoreira: primeiro erra feio, depois tenta apagar o incêndio que ele mesmo acendeu.
