Por William Paixão
Ainda é comum ouvir que a
cultura deve ficar em segundo plano diante de outras demandas da sociedade.
Para muitos, investir em cultura é um luxo, algo que pode esperar. Mas basta
observar as cidades que mais se desenvolvem para perceber que a realidade é
justamente o contrário.
A cultura não concorre com o
desenvolvimento. Ela faz parte dele.
Quando uma cidade promove um
festival, um encontro de corais, uma exposição, uma feira de artesanato ou
investe na formação artística de crianças e jovens, ela movimenta muito mais do
que o setor cultural. Hotéis recebem visitantes, restaurantes ampliam seu
movimento, comerciantes vendem mais, profissionais são contratados e a economia
local ganha força. A cultura gera empregos, impulsiona o turismo, fortalece o
comércio e cria oportunidades.
Mas seu impacto vai muito além
dos indicadores econômicos.
A cultura fortalece algo que
nenhuma obra física consegue construir sozinha: o sentimento de pertencimento. Uma
população que conhece sua história, valoriza suas tradições e reconhece seus
artistas passa a cuidar melhor da cidade onde vive. O orgulho de pertencer
nasce quando as pessoas se veem representadas em sua identidade cultural.
Talvez um dos investimentos
mais importantes da cultura seja aquele cujos resultados só serão percebidos
daqui a alguns anos. Vivemos uma transformação tecnológica sem precedentes. A
Inteligência Artificial já modifica a forma como trabalhamos, aprendemos e nos
relacionamos, e continuará redefinindo inúmeras atividades profissionais. Nesse
cenário, competências como criatividade, sensibilidade, pensamento crítico,
comunicação, colaboração e capacidade de inovar ganharão ainda mais
importância.
É justamente nesse ponto que a
cultura assume um papel estratégico. Crianças e jovens que crescem em contato
com a música, o teatro, a dança, as artes visuais, a literatura e tantas outras
manifestações culturais desenvolvem habilidades profundamente humanas, que
nenhuma tecnologia consegue substituir plenamente. Formar cidadãos criativos
hoje é preparar profissionais mais completos para os desafios do futuro.
Investir em cultura é investir no capital humano que conduzirá nossas cidades
nas próximas décadas.
Outro aspecto igualmente
importante é a capacidade que a cultura tem de impulsionar o turismo. Hoje, as
pessoas não escolhem seus destinos apenas pelas paisagens naturais ou pela
infraestrutura. Elas buscam experiências, autenticidade, gastronomia,
festividades, manifestações artísticas e histórias que tornem cada lugar único.
É justamente a cultura que confere personalidade a um município e o diferencia
de tantos outros.
Em Várzea Paulista, temos
buscado construir essa identidade de forma consistente. Valorizar a identidade
varzina significa reconhecer nossa história, fortalecer nossas tradições e
criar novos símbolos capazes de despertar orgulho em quem vive aqui e interesse
em quem nos visita.
Esse propósito pode ser
observado no fortalecimento da Festa das Orquídeas, que nos últimos anos passou
por um importante processo de evolução. O evento ganhou uma nova dimensão,
ampliando sua programação, valorizando produtores, artistas, empreendedores e
consolidando-se como uma das principais celebrações culturais da cidade. A
edição de 2026 representa mais um passo nessa trajetória, reafirmando a festa
como patrimônio cultural e importante atrativo turístico regional.
Da mesma forma, o projeto Várzea
Paulista – Capital Nacional do Panetone demonstra como cultura,
gastronomia, turismo e desenvolvimento econômico podem caminhar lado a lado.
Muito mais do que promover um produto reconhecido nacionalmente, a iniciativa
busca transformar uma vocação histórica do município em um elemento permanente
de identidade, atração de visitantes, geração de renda e fortalecimento da
economia criativa.
Essas iniciativas caminham ao
lado de investimentos permanentes na formação artística, como o trabalho
desenvolvido pela MusicArte, nossa Escola Municipal de Música e Arte, que
amplia oportunidades para crianças, jovens e adultos, fortalece talentos e
contribui para formar cidadãos mais sensíveis, criativos e preparados para o
futuro.
Por isso, investir em cultura
significa investir também na educação, no turismo, na economia, na cidadania e
na qualidade de vida. Não se trata apenas de realizar eventos, mas de construir
políticas públicas capazes de gerar desenvolvimento de forma permanente.
Quando uma cidade investe
apenas em concreto, ela constrói ruas, prédios e praças. Quando investe em
cultura, constrói identidade, pertencimento, criatividade e oportunidades. As
obras transformam a paisagem; a cultura transforma as pessoas. E são as pessoas
que, no fim das contas, transformam as cidades.
É por isso que investir em
cultura não é olhar apenas para o presente. É decidir, desde agora, qual cidade
queremos entregar às próximas gerações.
William Paixão é Gestor
Executivo de Cultura e Turismo de Várzea Paulista e Vice Interlocutor da Região
Turística Negócios & Cultura que compreende 10 cidades do estado de São
Paulo além de Coordenar atualmente o projeto “Várzea Paulista – Capital
Nacional do Panettone” e Desafio “Maior Panettone do Mundo Brasil!”
Já atuou na
Unidade de Cultura de Jundiaí e assina projetos como “Jundiaí na Marquês de
Sapucaí”, Passaporte Cultural Guardiões do Patrimônio (premiado pelo IPHAN) e o
Registro Imaterial da Coxinha de Queijo de Jundiaí, com foco em identidade,
cultura e desenvolvimento territorial

