Mensagens do copiloto morto na queda de avião revelam problemas na Voepass

Mensagens recuperadas do celular do copiloto que faleceu no acidente aéreo de agosto de 2024, em São Paulo, indicam preocupações com a aviação da Voepass. Humberto Alencar foi uma das 62 vítimas da tragédia. O celular foi encontrado nos destroços do avião pela polícia.

Em entrevista, a esposa de Humberto, Rosana Maria Ferreira, explicou que o aparelho foi recuperado com êxito após ser levado a uma assistência técnica e que ela entregou o backup à Polícia Federal para preservar a memória de seu marido. As mensagens recuperadas revelam que, semanas antes do acidente, Humberto expressava descontentamento com a situação da aviação. Em uma conversa com um colega, ele relatou: "Essa aviação está complicada, com esses aviões fadigados. Não adianta, tem que rezar para modernizarem essa frota."


Além disso, membros da tripulação relataram problemas durante voos anteriores. Em mensagens trocadas em um grupo de tripulantes, um funcionário compartilhou um vídeo sobre um defeito em uma aeronave e questionou a manutenção não realizada.

Após o acidente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realizou uma operação assistida na Voepass, determinando que a empresa reforçasse a frota com aeronaves reservas, reduzisse o número de rotas e substituísse funcionários. No entanto, a Anac identificou falhas na execução das correções e suspendeu os voos da companhia, alegando risco nas operações. A investigação sobre o acidente continua sob responsabilidade do Cenipa, e a Anac não pode afirmar, por enquanto, que há uma relação entre a suspensão e a tragédia.

Em resposta, a Voepass emitiu um comunicado afirmando que a segurança sempre foi sua prioridade e que a aeronave envolvida no acidente tinha certificação válida. A empresa também defendeu a legalidade da reutilização de componentes entre aviões, desde que haja rastreabilidade adequada, e refutou as denúncias de irregularidades, assegurando que segue os protocolos regulatórios.