Instinto ou Intuição?

 A tomada de decisões rápidas e assertivas é cada vez mais exigida e admirada, tanto no mundo corporativo quanto na vida pessoal. Muitas vezes, essa capacidade é atribuída ao instinto ou à intuição do indivíduo, termos que frequentemente são confundidos, embora representem características distintas.

O instinto, por definição, está relacionado à execução de ações de forma inconsciente, com foco principalmente na sobrevivência. Trata-se de um comportamento primitivo, inato e automático do corpo. Um exemplo claro de instinto é a sensação de fome. Já a intuição refere-se à percepção de algo sem a necessidade de um raciocínio ou análise consciente imediata, servindo como base para a tomada de decisão. Diferentemente do instinto, a intuição é adquirida ao longo do tempo e resulta do acúmulo de experiências.




Dois aspectos fundamentais nos diferenciam dos demais animais: a capacidade de controlar os instintos e a habilidade de fortalecer a intuição. Para a construção deste artigo, o autor se apoia no livro Sentir e Saber (2020), do neurologista português António Damásio. O autor explica que, além dos processos neurológicos envolvidos, o instinto é essencialmente biológico, enquanto a intuição é formada pelo conhecimento acumulado aliado às emoções despertadas no momento da decisão.
Damásio também destaca o papel da razão, que surge posteriormente e exige maior esforço, pois envolve a análise consciente tanto do instinto quanto da intuição antes da ação final.
Nesse contexto, as emoções desempenham um papel central. O gerenciamento emocional em cada situação contribui diretamente para decisões mais eficazes, pois está ligado aos chamados marcadores somáticos: sentimentos e sensações que classificam experiências anteriores como positivas ou negativas, antes mesmo de serem racionalmente analisadas novamente.
Concluindo, o título do livro de Damásio sintetiza bem essa ideia: antes de sabermos, nós sentimos. Por isso, é fundamental acolher, compreender e processar cada sentimento ou sensação. Assim, o instinto torna-se mais controlável, a intuição pode ser treinada e a razão passa a gerenciar de forma mais eficiente todas as tomadas de decisão.

Renan de Almeida Campos é Engenheiro de Produção e Cientista da Criatividade, com especializações em Neurociência do Desenvolvimento, Gestão da Mudança e Design Centrado no Usuário. Atua com consultorias e palestras voltadas à inovação, criatividade e resultados, com mais de 18 anos de experiência no ambiente corporativo.