Uma onda de protestos liderada pela Geração Z tomou as ruas de Lima, no Peru, nos últimos dias, gerando confrontos com a polícia e deixando dezenas de feridos. As manifestações começaram em 20 de setembro em reação a uma reforma da previdência que obrigaria todos os peruanos acima de 18 anos a aderir a um provedor de pensão.
Além da reforma, os jovens se dizem insatisfeitos com escândalos de corrupção, insegurança econômica e criminalidade crescente, bem como com a falta de responsabilização pela repressão policial em manifestações anteriores. Segundo o Instituto de Estudos Peruanos, a aprovação da presidente Dina Boluarte é de apenas 2,5%, e a do Congresso, de 3%.
No sábado (27), os confrontos deixaram 18 feridos, de acordo com a Coordenação Nacional de Direitos Humanos, quando manifestantes avançaram próximo ao Congresso. Entre os símbolos recorrentes das manifestações está a caveira com chapéu de palha, inspirada no mangá One Piece, representando resistência contra governantes tirânicos.
O movimento da juventude peruana também afetou a economia: a empresa Hudbay Minerals suspendeu temporariamente operações de sua usina devido aos protestos. Cerca de 27% da população do país tem entre 18 e 29 anos, segundo o Instituto Nacional de Estatística do Peru (INE).
Especialistas, como Jo-Marie Burt, da Universidade de Princeton, destacam que os protestos refletem um descontentamento de longa data e acontecem em um contexto global de retrocessos democráticos e enfraquecimento de instituições de controle. “Forças democráticas podem se mobilizar mesmo sob pressão autoritária e gerar resultados positivos”, afirma Burt.
Os protestos seguem uma tendência internacional, em que jovens se posicionam contra governos e medidas percebidas como injustas, buscando manter a pressão por mudanças políticas e sociais.
