Há exatos 30 anos, um episódio inusitado colocou definitivamente o nome de Varginha no mapa do turismo mundial. O chamado “Caso do ET de Varginha” ultrapassou o campo do folclore, dividiu opiniões, gerou debates científicos, midiáticos e culturais, e acabou criando, de forma espontânea, um dos destinos ufológicos mais famosos do Mundo.
Independentemente de crenças pessoais, é impossível negar a força simbólica e turística desse fenômeno. Tanto é verdade que, três décadas depois, o tema segue atual, despertando interesse nacional e internacional — agora, inclusive, com a exibição de um documentário pela Rede Globo, reafirmando a relevância cultural e histórica do episódio.
Falo aqui com respeito. O respeito à ciência, às pessoas envolvidas, às diferentes narrativas e, sobretudo, à cidade que soube transformar um acontecimento extraordinário em identidade, marca e experiência turística. O ET de Varginha não é apenas uma história curiosa: é um ativo simbólico que ajudou a construir uma imagem única para o município.
O ET antes dos influenciadores
Quando pensamos na criação de destinos turísticos hoje, imediatamente lembramos dos influencers, das redes sociais, dos vídeos virais e das estratégias digitais de alcance global. Mas Varginha viveu isso muito antes desse ecossistema existir.
O ET foi, sem querer, um dos primeiros grandes “influenciadores” do turismo brasileiro. Um personagem não humano, sem redes sociais, sem marketing estruturado, mas com uma capacidade imensa de gerar curiosidade, engajamento, deslocamento de pessoas e mídia espontânea. Pessoas viajaram, ainda viajam, para conhecer a cidade, tirar fotos, visitar monumentos, museus, lojas temáticas e vivenciar essa narrativa.
Hoje, influencers constroem destinos ao mostrar experiências, gastronomia, paisagens e histórias. Ontem, o ET fez isso ao despertar o imaginário coletivo. A lógica é a mesma: história bem contada gera fluxo, pertencimento e valor turístico.
Criatividade como motor do turismo contemporâneo
O turismo do presente e do futuro não se sustenta apenas em belezas naturais ou patrimônio histórico. Ele se constrói, cada vez mais, a partir da criatividade, da capacidade de gerar experiências memoráveis e narrativas que conectem pessoas a lugares.
Varginha compreendeu isso. E outras cidades brasileiras começam a trilhar caminhos semelhantes.
Em Várzea Paulista, por exemplo, estamos trabalhando na construção da marca “Capital Nacional do Panetone”, um conceito criativo, identitário e afetivo, que dialoga com a história, a economia local e o imaginário coletivo. Mais do que um título, trata-se de um projeto de experiência turística.
O desafio de produzir o maior panetone do mundo em 2026 não é apenas uma ação promocional. É um convite à vivência, à curiosidade, ao deslocamento, à celebração e ao compartilhamento — exatamente como exige o turismo contemporâneo.
Da cidade das orquídeas ao destino turístico do futuro
Várzea Paulista, conhecida como a Cidade das Orquídeas, tem diante de si a oportunidade de consolidar uma nova camada de identidade turística. Assim como Varginha transformou um episódio improvável em marca reconhecida internacionalmente, Várzea Paulista aposta na criatividade, na experiência e no afeto como ferramentas de desenvolvimento turístico.
O ET de Varginha nos ensina que o turismo não nasce apenas do óbvio. Ele nasce da coragem de assumir narrativas, da inteligência em transformá-las em experiência e da sensibilidade de respeitar suas múltiplas interpretações.
No fim das contas, seja um extraterrestre, um influencer digital ou um panetone gigante, o que move o turismo é a capacidade de criar histórias que as pessoas queiram viver — e, principalmente, contar.
William Paixão é atualmente Gestor Executivo de Cultura e Turismo de Várzea Paulista. Atuou como Diretor do Departamento de Gestão do Espaço EXPRESSA e Diretor do Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de Jundiaí, além de presidir a Liga Jundiaiense das Escolas de Samba. Assina projetos como Jundiaí na Marquês de Sapucaí, o Passaporte Cultural Guardiões do Patrimônio (premiado pelo IPHAN) e o Registro Imaterial da Coxinha de Queijo de Jundiaí, com foco em identidade, cultura e desenvolvimento territorial.
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