Mulheres ganham 20,9% a menos que homens no Brasil, aponta relatório do governo

 Mesmo com maior escolaridade e aumento da participação no mercado de trabalho, as mulheres continuam enfrentando desigualdade salarial no Brasil. Segundo o Relatório de Transparência e Igualdade Salarial, divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta segunda-feira (7), em 2024 as mulheres que atuam no setor privado ganham, em média, 20,9% a menos que os homens.




O levantamento, que analisou dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e inclui informações de mais de 53 mil empresas com 100 ou mais funcionários, revela que essa diferença cresceu ao longo do tempo. Em março de 2023, a desigualdade era de 19,4%, passando para 20,7% em setembro e agora alcançando 20,9%.

A média salarial dos homens é de R$ 4.745,53, enquanto a das mulheres é de R$ 3.755,01. Entre as mulheres negras, a situação é ainda mais crítica: elas recebem, em média, R$ 2.864,39 — valor 27,3% menor que o dos homens negros, que ganham R$ 3.647,97. Já em comparação com os homens não negros, cuja média salarial é de R$ 6.033,15, a diferença chega a aproximadamente 110%.

A desigualdade também aparece com mais força em cargos de liderança. Mulheres em cargos de direção ou gerência recebem 26,8% a menos que os homens nas mesmas funções. Em áreas que exigem nível superior, elas recebem 68,5% do salário masculino. Já nas funções administrativas, o percentual sobe para 79,8%.

Apesar da desigualdade, o número de mulheres ocupadas aumentou nos últimos anos. Em 2015, eram 38,8 milhões. Em 2024, esse número chegou a 44,8 milhões — um crescimento de 6 milhões.