Brasil enfrenta maior déficit comercial do ano com os EUA em agosto, exportações caem 18,5%

 

O Brasil registrou déficit em suas transações comerciais com os Estados Unidos pelo oitavo mês consecutivo em agosto, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento (MDIC) divulgados nesta quinta-feira (4/9). O resultado reflete um cenário desfavorável, em meio ao chamado tarifaço norte-americano.

No mês passado, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 2,76 bilhões, queda de 18,5% em relação a agosto de 2024. Ao mesmo tempo, as importações norte-americanas chegaram a US$ 3,99 bilhões, alta de 4,6%, resultando em um déficit de US$ 1,23 bilhão – o maior do ano.

No acumulado de janeiro a agosto, o rombo chegou a US$ 3,48 bilhões, aumento de 370% sobre o mesmo período do ano passado, quando o déficit foi de US$ 745 milhões. O último superávit com os EUA ocorreu em dezembro de 2024, de US$ 468 milhões.

Apesar da queda para os norte-americanos, as exportações brasileiras cresceram para outros parceiros: China (+29,9%), México (+43,8%) e Argentina (+40,4%).

O aumento do déficit é ligado ao tarifaço dos EUA, implementado de forma progressiva até atingir 50% sobre cerca de 36% das vendas brasileiras ao país, a partir de 6 de agosto. O governo brasileiro anunciou medidas para mitigar os impactos, como linha de crédito de R$ 30 bilhões, seguro à exportação e diferimento de impostos, condicionado à manutenção de empregos.

O cenário reforça os desafios do comércio exterior brasileiro e a necessidade de estratégias para driblar barreiras tarifárias e diversificar mercados.