Entre 1985 e 2024, a Amazônia brasileira perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa, segundo análise da série histórica do Mapbiomas divulgada nesta segunda-feira (15). A área desmatada equivale a 13% do bioma, ou aproximadamente o tamanho da França, e coloca o ecossistema próximo ao ponto de não retorno, alertam especialistas.
O estudo mostra que a maior parte da supressão florestal foi substituída por pecuária, agricultura, silvicultura e mineração. As pastagens cresceram de 12,3 milhões para 56,1 milhões de hectares, e a agricultura avançou 44 vezes, alcançando 7,9 milhões de hectares. A soja, principal cultura do bioma, ocupa 5,9 milhões de hectares, com grande parte em áreas já degradadas, mas 769 mil hectares foram convertidos diretamente de floresta para lavoura entre 2008 e 2024.
Além do desmatamento, o estudo aponta retração de 2,6 milhões de hectares de áreas alagáveis, mangues e apicuns, resultando em regiões mais secas, especialmente na última década. Apenas 2% da vegetação, cerca de 6,9 milhões de hectares, apresenta sinais de regeneração.
O pesquisador do MapBiomas, Bruno Ferreira, alerta: "A Amazônia está se aproximando da faixa de 20% a 25% de perda, o ponto crítico em que a floresta não consegue mais se sustentar."
Para frear a destruição, o governo federal implementa medidas como a Comissão Interministerial de Prevenção e Controle do Desmatamento (CIPPCD), monitoramento em tempo real pelo Deter (INPE) e o uso de recursos do Fundo Amazônia para projetos de preservação. Em 2024, foram destinados R$ 318,5 milhões para fortalecer operações de fiscalização com drones, helicópteros e maior presença de forças de segurança.
O objetivo é zerar o desmatamento ilegal até 2030, enfrentando desafios como o avanço da fronteira agrícola e o garimpo ilegal, buscando equilibrar desenvolvimento econômico com preservação ambiental.
Fonte: Agência Brasil
