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Em NY, Lula faz autocrítica sobre avanço da extrema direita: “É virtude deles ou incompetência nossa?”

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quarta-feira (24), em Nova York, de uma reunião com líderes de países como Chile, Espanha, Colômbia e Uruguai, para discutir a defesa da democracia e o combate ao extremismo. O encontro é realizado em paralelo à Assembleia Geral da ONU e chega à sua segunda edição, sem a participação dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump.

Em seu discurso, Lula fez uma autocrítica contundente: “O que me importa hoje é a gente responder para nós mesmos onde é que os democratas erraram? Por que permitimos que a extrema direita crescesse com a força que está crescendo? É virtude deles ou incompetência nossa?”, questionou.

O presidente também avaliou suas próprias decisões políticas: “Muitas vezes, a gente governa atendendo mais aos interesses dos nossos inimigos do que aos nossos amigos. Atendemos à imprensa, ao mercado, e acabamos deixando de lado aqueles que nos apoiaram nas ruas”, disse, ressaltando a necessidade de fortalecer a relação da democracia com a sociedade civil.

A reunião contou com participações de líderes como Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai), além de representantes de outros países e da União Europeia.

No dia anterior, durante a Assembleia Geral da ONU, Lula teve um breve encontro com Donald Trump, que afirmou ter havido “uma química excelente” entre os dois e anunciou a intenção de uma reunião futura, possivelmente por telefone ou videoconferência. A diplomacia brasileira, no entanto, trata o encontro com cautela para evitar constrangimentos.

O discurso de Lula reforça a reflexão sobre erros internos na consolidação da democracia e destaca a necessidade de fortalecer o diálogo com a sociedade civil frente ao crescimento de movimentos de extrema direita.