O Santos avançou nas discussões sobre a possível transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Nesta terça-feira (9/9), a Comissão de Estatuto do Conselho Deliberativo realizou um encontro na Vila Belmiro, com participação de conselheiros e do advogado Rodrigo Monteiro de Castro, especialista em SAF e um dos autores da lei que regulamenta o tema no Brasil.
A reunião ocorreu a portas fechadas, sem acesso da imprensa e com proibição de celulares para conselheiros, medida que visa evitar vazamentos do conteúdo debatido no Salão Vidal Behor Sion. Segundo o presidente da Comissão, Celso Pires, não haverá deliberação imediata: o primeiro passo é aprovar alterações no estatuto, que só poderão ser ratificadas posteriormente pela assembleia geral dos sócios, caso o Santos receba uma proposta formal de investidor.
O formato do encontro gerou críticas externas. O jornalista Milton Neves, em coluna no UOL, questionou a falta de transparência, lembrando que mudanças no estatuto envolvem patrimônio coletivo e interesse de milhares de associados. Ele destacou a ausência de participação da torcida e a proibição de celulares como fatores que aumentam a desconfiança sobre o processo.
Neves também apontou potenciais conflitos de interesse, citando menções a valuation bilionário do clube (R$ 2,2 bilhões) e investidores internacionais, incluindo grupos do Catar e o empresário Kia Joorabchian, além da presença influente do pai de Neymar nos bastidores da Baixada.
O debate sobre a SAF do Santos segue cercado de expectativa, com foco em como as futuras decisões podem impactar a gestão, o patrimônio e a relação do clube com os sócios. A próxima etapa envolve a análise detalhada das alterações estatutárias e a posterior votação aberta dos associados.
