Após o desgaste causado pela rejeição da PEC da Blindagem no Senado, a Câmara dos Deputados concentra esforços em pautas de maior apelo popular, com foco em segurança pública e isenção do Imposto de Renda. A proposta que ampliava a proteção jurídica de parlamentares foi rejeitada por unanimidade, aprofundando a crise de imagem da Casa.
Nesta terça-feira (30/9), o plenário aprovou oito requerimentos de urgência para projetos de segurança, que agora poderão ser votados diretamente, sem passar por comissões. Entre as medidas estão o aumento da pena para homicídios contra policiais e o endurecimento da repressão a crimes cometidos por organizações criminosas. Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), há consenso entre os 27 secretários de segurança estaduais para o avanço das propostas.
“Segurança é uma das maiores preocupações dos brasileiros e uma prioridade do Parlamento – e prioridade se faz ouvindo, dialogando e agindo”, afirmou Motta, destacando a mudança de rota da agenda legislativa.
Para esta quarta-feira (1º), está prevista a votação do projeto que isenta do Imposto de Renda contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil. A medida, defendida pelo governo, conta com apoio de diversas bancadas e é vista como resposta imediata ao desgaste político provocado pelo fiasco da PEC.
O movimento da Câmara reflete a tentativa de reconquistar apoio popular e distanciar a Casa da imagem de priorizar projetos de autoproteção. Apesar disso, a proposta de anistia a investigados e condenados por participação na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 ainda permanece sem definição, com debates internos sem consenso.
A prioridade imediata é, portanto, demonstrar sintonia com temas considerados urgentes pela opinião pública: segurança e alívio no bolso do cidadão.
