As ruas de várias cidades do Marrocos foram tomadas por protestos juvenis nos últimos dias, em um movimento que já deixou três mortos, mais de 300 feridos e centenas de presos, segundo o governo local. A onda de manifestações, marcada pela presença da chamada Geração Z (jovens entre 16 e 30 anos), é a mais violenta desde os protestos de 2016 e 2017 na região do Rif.
O estopim da revolta foi a insatisfação com os gastos públicos para a Copa do Mundo de 2030, que terá o país como um dos anfitriões ao lado de Espanha e Portugal. Os manifestantes pedem que os investimentos sejam destinados a áreas como saúde e educação, em meio a uma taxa de desemprego juvenil de 35,8%.
Na quarta-feira (1º), a violência atingiu o ápice: em Lqliaa, duas pessoas morreram após confronto com policiais; em Rabat e cidades vizinhas, lojas e carros foram incendiados; já em Marrakech, uma delegacia foi atacada. Em regiões menores, como Sidi Bibi e Biougra, prédios públicos e bancos foram saqueados.
O movimento é articulado online por um grupo anônimo chamado “GenZ 212”, que reúne mais de 130 mil membros em redes como TikTok, Instagram e Discord. Inspirado em mobilizações na Ásia e América Latina, o coletivo pede protestos pacíficos, mas a repressão policial tem elevado a tensão.
Até agora, 409 pessoas foram detidas, sendo que 193 irão a julgamento por crimes como incêndio e ataques às forças de segurança. O governo afirma que respeita o direito de manifestação, mas reforça que “o diálogo é a única saída para os problemas”.
Com as ruas em ebulição, os protestos da Geração Z expõem a pressão sobre o primeiro-ministro Aziz Akhannouch, alvo de críticas por suposta corrupção e falta de investimentos sociais.
