Parece até pauta repetida, mas infelizmente não é. Quando vemos nos noticiários sobre os casos de feminicídio a revolta toma conta de todos, até que outro caso, mas cabeludo, aparece e aquele fica para trás.
O país tem enfrentado um grave problema de
violência contra mulheres, simplesmente pelo fato de serem mulheres, permanecendo
em níveis alarmantes mesmo com políticas públicas e mobilização social voltadas
ao enfrentamento da violência.
Como jornalista gosta de números, aqui vão alguns
para mostrar o quão preocupante tem sido este crime. Segundo dados oficiais e
levantamentos de segurança pública, só em 2024 o país registrou entre
1.450 e 1.492 casos de feminicídio. Quer dizer, média de quatro mulheres mortas por dia por motivos de gênero.
Vale ressaltar que os dados sobre feminicídio no Brasil são compilados por diversas
entidades, incluindo o Fórum Brasileiro de Segurança
Pública, o Ministério das Mulheres e
o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em seus relatórios
anuais, como o Atlas da Violência e o Anuário Brasileiro de Segurança Pública
Já o Relatório
Anual Socioeconômico da Mulher do Ministério das Mulheres contabilizou 1.450 feminicídios, em um cenário que
ainda representa uma queda geral da violência letal contra mulheres quando
comparado ao total de homicídios dolosos de mulheres em 2023.
No entanto, para além dos números, sabe o que o que é mais triste? A maioria dos crimes é cometido por ex que se acham
donos ou proprietários daquela pessoa. E o mais triste ainda, e claro que não
justifica, mas são os casos em que o relacionamento durou uma, duas ou apenas
três semanas. É triste demais!
Mesmo com a tipificação legal, políticas públicas e
maior visibilidade do problema, o feminicídio
permanece uma pauta urgente de direitos humanos no Brasil. Os números
refletem não só a violência extrema, mas também a necessidade de políticas
integradas que abordem educação, desigualdade social, acesso à justiça e
prevenção em múltiplas frentes.
É preciso denunciar, olhar os sinais, rever
comportamentos. O que era para ser romantizado como ciúmes, cuidado ou zelo,
pode estar escondendo algo pior. Mulheres fiquem de olho aberto, denunciem,
façam sua parte!
O respeito e a liberdade da escolha de ‘não ficar’
deveria ser simples, porém ainda enfrentado por meninas, mulheres, mães. Cabe
aqui uma reflexão, mesmo que ainda estejamos começando o ano, mas que seja um
alerta: não existe amor onde há posse.
Vamos cuidar de nós, vamos cuidar de todas. Bora
para um 2026 com menos estatísticas.
Simone de Oliveira é
jornalista
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