Investimentos em Cultura e Turismo! Nada de Ideologia! Estratégia e Matemática!

Por William Paixão

Há uma distorção histórica no modo como o Brasil enxerga seus próprios potenciais econômicos. Enquanto setores tradicionais, como a indústria automotiva, recebem incentivos bilionários, renúncias fiscais contínuas e protagonismo no debate sobre desenvolvimento, a indústria cultural — que proporcionalmente gera mais empregos, mais circulação de renda e maior capilaridade social — ainda é tratada como gasto supérfluo.

E isso precisa ser dito de forma clara: cultura não é custo, é investimento de alto retorno, e isso não é ideologia. É matemática!





Investir em Cultura e Turismo não é pauta ideológica. Não é de direita, esquerda ou centro. É economia básica, sustentada por números, estudos e evidências. Os retornos financeiros e não financeiros são observáveis na geração de empregos, na circulação de renda e no fortalecimento dos territórios. Ignorar esses dados não é posicionamento político — é recusa à realidade. Qualquer pessoa, independentemente de classe social ou escolaridade, consegue enxergar esses efeitos. O que não se pode é fingir que eles não existem.

A chamada economia criativa — que envolve cultura, turismo, artes, entretenimento, patrimônio, eventos e produção simbólica — movimenta cadeias produtivas extensas, descentralizadas e profundamente enraizadas nos territórios. Diferente de setores altamente mecanizados, a cultura emprega gente, contrata serviços locais, movimenta pequenos negócios e mantém o dinheiro circulando dentro das comunidades.

Quando se analisa proporcionalmente o impacto econômico, a indústria cultural entrega mais retorno social e econômico por real investido do que muitos setores tradicionais que historicamente concentram benefícios.

O debate público costuma olhar para os investimentos em cultura apenas sob o prisma do valor absoluto: “quanto custa um evento?”, “quanto foi investido?”.
Raramente se pergunta: quanto esse dinheiro gerou, para quem gerou e quantas vezes ele circulou antes de sair da cidade?

Cada real investido em cultura se desdobra em:

  • contratação de artistas, técnicos e produtores
  • geração de renda para comércio, alimentação, transporte e hospedagem
  • valorização do artesanato e da produção local
  • fortalecimento da identidade cultural, que segue atraindo visitantes mesmo após o evento

Isso é economia real. Viva. Territorial.

Não existe turismo forte sem cultura. E não existe cultura sustentável sem turismo.

O Carnaval carioca é o exemplo mais emblemático dessa equação. Embora receba investimentos milionários, retorna bilhões para a economia, gera dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos e projeta o Brasil internacionalmente como nenhum outro produto de exportação simbólica consegue fazer.

E o ponto central é este: a mesma lógica vale para as festas regionais.

A Festa da Uva de Jundiaí, a Festa das Orquídeas aqui de Várzea Paulista, entre tantas outras festas populares, romarias, festivais gastronômicos e culturais não são “eventos locais” — são ativos econômicos estratégicos.

A Festa da Uva de Jundiaí, por exemplo, atrai visitantes de outros estados e países, amplia divisas culturais e financeiras, fortalece o turismo rural, aquece o comércio e posiciona Jundiaí no mapa do turismo nacional.

Esse fluxo não acaba no portão do evento: ele se espalha por hotéis, restaurantes, mercados, produtores, motoristas, guias, artistas e comerciantes.


Enquanto países concentram riqueza por possuírem petróleo, gás ou minerais, o Brasil tem tudo isso — e ainda detém a cultura mais plural, diversa e potente do planeta.

Nenhum outro país reúne, em um mesmo território, tamanha diversidade de manifestações culturais, ritmos, festas, saberes populares, culinárias, artes e identidades regionais. Isso não é apenas patrimônio simbólico: é vantagem competitiva global.

Quando a sociedade brasileira compreender que cultura é uma indústria estratégica — e quando governos criarem mecanismos estruturantes e contínuos de investimento, e não apenas ações pontuais — o país dará um salto real de prosperidade.


Várzea Paulista por meio do governo do Professor Rodolfo tem sinalizado esse entendimento ao apostar numa equipe técnica para tocar as ações de cultura no município e reformular todo seu calendário de festividades e tratando-as como plataformas de economia criativa, inovação cultural e turismo, como no envolvimento das suas Feiras (Inclusiva e Criativa) em todas as atividades da cidade.

Essa nova proposta para os eventos locais como por exemplo na Festa das Orquídeas, mostra que é possível transformar eventos em hubs de artesanato, produção local, identidade e desenvolvimento econômico.

Os primeiros retornos já são perceptíveis — não apenas em números, mas na ocupação dos espaços, no fortalecimento dos produtores locais e na construção de uma nova narrativa para a cidade, com no exemplo do Projeto “Várzea Paulista – Capital Nacional do Panetone!”


A indústria cultural gera riqueza, emprego, pertencimento e desenvolvimento.
Ela distribui renda melhor, fixa talentos nos territórios e cria valor que permanece.

O desafio não é provar que cultura rende — os números já mostram isso.
O verdadeiro desafio é mudar a mentalidade e fugir da falsa polêmica criada pela polarização política do país que coloca o investimento em cultura como objeto em disputa eleitoral.

Quando o Brasil entender que sua maior riqueza não está apenas no subsolo, mas também na sua gente, na sua arte e na sua cultura, viveremos em um país mais próspero, mais justo e mais inteligente economicamente.

Porque investir em cultura não questão de romantismo ou ideologia política
É estratégia!


William Paixão é atualmente Gestor Executivo de Cultura e Turismo de Várzea Paulista e vice interlocutor da Região Turística Negócios & Cultura que compreende 11 cidades tanto da região metropolitana de São Paulo como interior. 

Já atuou na Unidade de Cultura de Jundiaí e assina projetos como Jundiaí na Marquês de Sapucaí, o Passaporte Cultural Guardiões do Patrimônio (premiado pelo IPHAN) e o Registro Imaterial da Coxinha de Queijo de Jundiaí, com foco em identidade, cultura e desenvolvimento territorial