apagar

A guerra silenciosa entre Rio de Janeiro e São Paulo para transformar cultura em bilhões!

 Por William Paixão



Existe hoje no Brasil uma disputa silenciosa acontecendo entre duas das maiores cidades do país. Não é uma competição esportiva. Não é uma disputa eleitoral direta. É algo muito mais interessante: uma corrida para ver quem consegue transformar melhor a cultura em motor de desenvolvimento.


Rio de Janeiro e São Paulo começam a perceber que grandes eventos culturais não são apenas entretenimento. São estratégia econômica, ferramenta de posicionamento internacional e instrumento de política pública.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes tomou uma decisão que poucos gestores públicos teriam coragem de tomar: transformar a Praia de Copacabana em um palco global.

Em 2024, o show histórico de Madonna reuniu cerca de 1,6 milhão de pessoas e movimentou aproximadamente R$ 469 milhões na economia da cidade. Em 2025, foi a vez de Lady Gaga repetir o feito e atrair mais de 2 milhões de pessoas para a orla carioca, com impacto econômico estimado em cerca de R$ 600 milhões.

Esses números não deixam dúvidas: estamos falando de política pública com retorno econômico mensurável.

O Rio de Janeiro, é verdade, já tem tradição nisso. O seu carnaval talvez seja o maior exemplo do planeta de como cultura pode se transformar em indústria, emprego, renda e projeção internacional.

Mas o que está acontecendo agora vai além do Carnaval. Trata-se de uma estratégia permanente de posicionamento turístico global.

E é exatamente esse movimento que começa a provocar reação na outra maior potência urbana do país: São Paulo.

Historicamente, São Paulo construiu sua identidade como capital financeira e empresarial do Brasil. Cultura sempre existiu — e em abundância — mas raramente foi tratada como um eixo estruturante de desenvolvimento econômico.

Esse paradigma começa a mudar.

Nos bastidores do setor de entretenimento, já se fala abertamente em negociações para trazer grandes nomes da música mundial para apresentações gratuitas de grande porte na cidade. Artistas como Beyoncé, Adele ou até bandas icônicas como U2 aparecem com frequência nas especulações sobre futuros eventos.

Se essa movimentação se consolidar, São Paulo poderá entrar definitivamente na disputa pelos maiores espetáculos culturais gratuitos do país.

E aqui surge talvez o aspecto mais interessante dessa história.

Eduardo Paes e Ricardo Nunes representam campos políticos bastante distintos no cenário brasileiro. Paes se posiciona historicamente mais próximo do campo do centro-esquerda. Nunes, por sua vez, construiu sua trajetória política dentro de um espectro mais alinhado ao centro-direita.

Em outras palavras: pertencem a campos ideológicos que frequentemente se enfrentam no debate público brasileiro.

Mas, curiosamente, ambos parecem ter chegado exatamente à mesma conclusão.

Cultura e turismo são hoje uma das indústrias mais poderosas do mundo.

Grandes eventos movimentam cadeias produtivas inteiras: hotelaria, transporte, gastronomia, comércio, audiovisual, publicidade, tecnologia e serviços. Além disso, projetam cidades no imaginário global e fortalecem sua capacidade de atrair visitantes, investimentos e oportunidades.

Durante muito tempo, o investimento público em cultura foi tratado no Brasil como um tema ideológico — quase sempre reduzido a disputas políticas superficiais.

A realidade econômica, porém, começa a desmontar esse debate simplista.

Quando bem planejados, eventos culturais geram retorno financeiro, movimentam economias locais e fortalecem identidades urbanas.

Não são despesas. São investimentos.

E essa lógica não se aplica apenas às grandes metrópoles.

Cidades menores também podem — e devem — utilizar a cultura como instrumento de desenvolvimento. Evidentemente em outra escala, mas com impactos proporcionais igualmente relevantes.

Aqui em Várzea Paulista temos buscado seguir exatamente esse caminho: estruturar um calendário cultural consistente, fortalecer a vocação turística da cidade e criar eventos que movimentem a economia local.

O mês de março de 2026 é um bom exemplo dessa estratégia. No dia 21 celebramos o aniversário da cidade com grandes shows. Na sequência, mantemos a cidade em movimento com uma agenda cultural contínua: o programa Ponto MIS no dia 25 na Praça CEU, o Cine São Paulo FINI nos dias 26 e 27 no Parque da Família e o Circuito SESC de Artes no dia 28 no Parque Chico Mendes.

São formatos diferentes, públicos diferentes e linguagens culturais distintas, mas com o mesmo objetivo: manter a cidade viva, ativa e economicamente movimentada.

No fundo, o que está acontecendo no Brasil é uma mudança de mentalidade.

Grandes capitais começam a disputar protagonismo na indústria global do entretenimento. Cidades médias e pequenas passam a compreender que cultura e turismo também podem ser motores de desenvolvimento local.

Em Várzea Paulista seguimos exatamente nessa direção. O prefeito Professor Rodolfo Braga e o vice-prefeito João Paulo de Souza compreendem a importância estratégica desse tema e incentivam o desenvolvimento técnico dessa política pública.

Porque, no final das contas, a lição que essa disputa entre Rio e São Paulo começa a ensinar ao Brasil é bastante simples:

quando a cultura é levada a sério, ela deixa de ser apenas expressão artística — e passa a ser também estratégia de desenvolvimento.

William Paixão é Gestor Executivo de Cultura e Turismo de Várzea Paulista e Vice Interlocutor da Região Turística Negócios & Cultura que compreende 10 cidades do estado de São Paulo.

Já atuou na Unidade de Cultura de Jundiaí e assina projetos como “Jundiaí na Marquês de Sapucaí”, Passaporte Cultural Guardiões do Patrimônio (premiado pelo IPHAN) e o Registro Imaterial da Coxinha de Queijo de Jundiaí, com foco em identidade, cultura e desenvolvimento territorial