Por Renan de Almeida Campos
Em um mundo corporativo onde a inovação é perseguida na mesma intensidade que arqueólogos buscam o caminho para El Dorado, surge um paradigma cada vez mais evidente, e necessário: a destruição criativa.
A verdade é que toda empresa, seja de grande porte ou startup, vive da destruição criativa. Atrelada ao processo de inovação, a criatividade busca sempre melhorar ou descobrir novas fontes de renda, e para que uma nova fonte surja, é quase certo que algo será deixado para trás.
Joseph Schumpeter, considerado o pai da inovação moderna, deu vida ao termo citado ainda nos anos de 1940, afirmando que quase tudo que está disponível para as pessoas utilizarem pode e deverá sofrer alterações e melhorias com o passar dos anos.
Ainda segundo Schumpeter, essa destruição criativa é essencial para o contínuo desenvolvimento social, porém acarreta diversos riscos econômicos, dada a constante busca por receitas e lucros.
Na mesma linha de raciocínio, Kevin Ashton, inventor do termo “Internet das Coisas”, afirma que todas as tecnologias atuais são nada mais do que um empilhado de conhecimento adquirido e transmitido por gerações, que passou por diversos processos de inovação ao longo dos anos, visando sempre atender às necessidades contemporâneas.
Para exemplificar a utilização do conhecimento adquirido e transmitido como ferramenta de busca por novidades, o professor de Direito Lawrence Lessig desenvolveu a teoria do Remix, que visa explicar como a combinação de propriedades intelectuais, aliadas a determinadas culturas e contextos, deve ser tratada como natural e necessária para o desenvolvimento humano.
Fica evidente que poucos são os casos onde uma descoberta se perpetua por muito tempo na vanguarda (cito a caneta BIC como exemplo de tal fato), e que de fato a criatividade é a maior arma para a destruição e construção disponível.
Empresas que se apegam a somente um produto, sem enxergarem a possibilidade de melhorar o que já possuem, ou até de se desapegarem daquele sucesso momentâneo para buscarem novas fontes, correm sérios riscos de perdas substanciais.
Daí a necessidade atemporal da inovação.
Renan de Almeida Campos é Engenheiro de Produção e Cientista da Criatividade, com especializações em Neurociência do Desenvolvimento, Gestão da Mudança e Design Centrado no Usuário. Atua com consultorias e palestras voltadas à inovação, criatividade e resultados, com mais de 18 anos de experiência no ambiente corporativo.

