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O Poder das Parábolas

Por Renan de Almeida Campos

Popularmente, diz-se que o lado direito do cérebro é aquele que carrega maior carga emocional e que o lado esquerdo é o lado lógico da nossa mente. Na verdade, tanto para a lógica quanto para a emoção, quase toda a nossa rede neural é acionada, especialmente o córtex pré-frontal (pronto, bem no meio dos dois lados), responsável pela regulação e controle das emoções.



Em um artigo anterior, comentei que a lembrança é um acontecimento envolto por emoções. Convido o leitor a pensar e repensar seu modo de comunicação por meio do uso de parábolas ou metáforas. Notem que os assuntos ou temas que mais temos guardados na mente são aqueles com os quais tivemos maior conexão emocional, seja com o tópico ou com as pessoas envolvidas — e nada gera maior conexão entre pessoas do que uma parábola, conto ou uma “moral da história” bem colocada.

Historicamente, o povo oriental é visto como mais emocional, e o povo ocidental é tratado como mais racional. Mas por que nós, ocidentais, temos a imagem de que o pessoal do outro lado do mundo é mais inteligente? Poderíamos dissertar aqui sobre modelos de ensino e afins, mas gostaria de me ater a um método de transmissão de conhecimento: as parábolas (ou provérbios). Quantos de nós tivemos lições e ainda passamos às outras gerações ensinamentos por meio desse tipo de colocação?

O principal método de comunicação entre as pessoas nasce da empatia, de saber se conectar com os sentimentos do outro. Desde a nossa infância, a arte de contar histórias transmite, por meio de narrativas e acontecimentos com personagens, mensagens que ficam gravadas em nossas mentes e ajudam a moldar nosso caráter e valores. Na pressa do dia a dia, estamos deixando de lado a importância das conexões emocionais interpessoais, achando que apenas as palavras são suficientes.

Sempre vemos por aí um provérbio chinês, árabe, um ensinamento budista — e até mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo é considerado oriental —, e todos esses passam mensagens que nos ensinam mais do que uma lei ou decreto, porque mexem com nossas emoções.