Homens, mulheres e a confusão do multitarefa

 As máximas “eu consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo” ou “ela demora milhões de horas para escolher um vestido” são bastante comuns entre homens e mulheres. Essas percepções estão diretamente ligadas à neurociência e às diferenças entre os cérebros masculino e feminino. Embora ambos possuam, em média, a mesma quantidade de neurônios — cerca de 90 bilhões — e estruturas semelhantes de processamento de informações, existem diferenças importantes em sua organização.



É importante esclarecer que não fazemos duas coisas ao mesmo tempo; o que ocorre é uma alternância de foco. O cérebro feminino apresenta uma maior densidade neural, o que facilita e agiliza a mudança de atenção entre tarefas. Já no cérebro masculino, essa transição tende a ser mais lenta, pois os neurônios estão mais espaçados, dificultando a troca de foco uma vez que a atenção já foi direcionada.

O cérebro também é altamente eficiente na economia de energia, consumindo cerca de 60% da energia corporal. Estudos indicam que, por esse motivo, as mulheres necessitariam dormir, em média, 11% a mais do que os homens. Como isso raramente acontece, o cansaço acaba sendo mais intenso no público feminino, refletindo em maiores índices de ansiedade, depressão e burn-out.

Os homens, por sua vez, costumam tomar decisões mais rapidamente, pois o cérebro tende a escolher caminhos neurais mais econômicos. No entanto, essa característica também pode contribuir para maior dificuldade em mudar o foco e maior propensão à procrastinação.

O objetivo dessa reflexão não é apontar superioridade, mas destacar que cérebros diferentes exigem estratégias diferentes. Ao compreender nossas potencialidades e limitações, podemos adaptar ambientes, hábitos e comportamentos para melhorar o foco, o bem-estar e, consequentemente, a criatividade e a inovação.